quinta-feira, 27 de abril de 2017

Filósofos emigrantes


Vale a pena ler esta entrevista a Teresa Marques, filósofa portuguesa da Universidade de Barcelona. 

Novos Ensaios de Peter Singer

Peter Singer é o filósofo da atualidade que suscita maiores hostilidades em relação às suas ideias, ou pelo menos à caricatura que habitualmente delas se faz. Isto acontece não pela radicalidade dos seus argumentos (há filósofos mais radicais, mas que raramente são mencionados nas frentes mais hostis), mas antes pela sua popularidade. A que se deve a popularidade de Singer? À forma pouco comum como expõe os argumentos que os torna acessíveis mesmo aos leitores filosoficamente menos informados. Juntando isso aos temas e problemas que aborda (moralidade do aborto, eutanásia, etc…) temos os ingredientes necessários para conservadores hostis destilarem os mais variados insultos. O irónico é que Singer aceita o aborto ou a eutanásia com muitas restrições, o que até faz dele, em certo sentido, algo conservador. Mais conservador talvez é ainda em relação à defesa dos direitos morais dos animais não humanos, uma das mais radicais teses de Singer. Curiosamente os hostis costumam estar-se nas tintas para os animais e não pegam neste ponto com Singer. Do meu ponto de vista a popularidade de Singer passa por uma certa injustiça, provavelmente própria de toda e qualquer popularidade, a de ser superficial. Por essa razão os ataques dos hostis são todos sem exceção vagos e absurdos, para além de revelarem manifesta ignorância em relação aos argumentos do filósofo australiano, professor nos EUA. A melhor forma de conhecer os ataques a Singer que estão para além dos insultos gratuitos é conhecer a obra de filósofos como David S. Oderberg, tendo duas obras publicadas em português. Uma delas, Ética Aplicada, Uma abordagem não utilitarista (Principia, 2009, Trad. M José Figueiredo), é um ataque ao utilitarismo de Singer. Espero que esta nova tradução em português, do qual se apresenta aqui a capa, motive mais a discussão racional que o orgulho irracional. De resto como se espera de toda a atividade filosófica. A edição é das Ed.70.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Citações polémicas

Muitas das afirmações dos filósofos são polémicas. Todas elas são, por natureza do saber e conhecimento, arriscadas. E por isso, em regra, pouco consensuais com a nossa visão comum do mundo e das coisas. Mas será que entre essas citações não haverão outras ainda mais arriscadas, verdadeiramente polémicas contrariando-se até a si mesmas? É isso que este livro recém-chegado ao mercado português promete oferecer, uma boa coleção de citações verdadeiramente polémicas. Do autor Victor Correia, com edição da Verso da Kapa. Mais informações AQUI. À venda nas livrarias a partir do dia 13 deste mês. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O conhecimento como relação entre um sujeito e um objeto

A percepção é o modo como tomamos consciência dos objectos, em especial daquilo que nos é dado pelos sentidos. A pergunta que muitos filósofos colocam acerca da percepção é a seguinte: será que o facto de percepcionarmos objectos é suficiente para justificar a existência desses objectos fora da nossa consciência? A distinção entre aparência e realidade parece indicar que há diferença entre aquilo que as coisas são e a maneira como tomamos consciência delas, isto é, a maneira como as percepcionamos. O modo como funciona a percepção dá lugar a grandes disputas filosóficas e é um tema central nas discussões acerca da natureza do conhecimento. Há três grandes teorias da percepção, com diferentes implicações em termos epistemológicos: o realismo directo, o realismo representativo e o idealismoVer também realismo crítico e realismo ingénuo. (Aires Almeida)"

in. DEFnarede

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Reler Hilary Putnam

Hilary Putnam deve ser dos filósofos, senão mesmo o filósofo de expressão em língua inglesa da segunda metade do século xx, mais amplamente traduzido para português. Possivelmente por ser um caso isolado em matéria de tradução, e não fazendo escola a tradução de livros dos seus pares, muitas das vezes os conceitos são mal traduzidos, o que acaba por confundir não só a compreensão como também o estilo do próprio autor. Seja como for, num país com uma escala filosófica bastante reduzida (pelo menos antes da internet, já que uma boa parte destas traduções é anterior ao acesso generalizado á rede e ao consumo online) é salutar ter acesso na nossa língua a uma variedade considerável de livros de Putnam. Eles aparecem por via da publicação de diferentes editoras.

A produção de Putnam foi enormíssima com contributos para diferentes áreas da filosofia. É difícil delimitar uma área de maior intervenção, muito embora o maior conjunto dos seus trabalhos sejam nas áreas da filosofia da mente, ação, epistemologia e metafísica. Sempre foi um filósofo que produziu muito e mudou muitas vezes de argumentos e interesse. Deixo aqui a referência a algumas das traduções que ainda se encontram à venda nas livrarias. E com algum esforço ainda se encontram as traduções da D. Quixote, já dos anos 90 do século xx. 





domingo, 8 de janeiro de 2017

Bibliografia breve da identidade


Este mês ficou marcado na filosofia com o desaparecimento de Derek Parfit, o filósofo inglês. No meu tempo de Universidade nunca ouvi falar em tal nome. Conheci-o muito mais tarde e ainda só o conheço quase por referências indiretas. A vida de um professor de secundário dificilmente se compatibiliza com o estudo aturado de um só autor ou problema. Além disso há poucas traduções de Parfit em português. Assim, só se fica a saber que que se trata de um influente filósofo, mas sem perceber muito bem por quê. Bem, para o mero curioso não profissional da filosofia, talvez isso seja suficiente. Eu também não percebo a relevância de todas as teorias científicas que vou aprendendo, mas começo por aceitar alguma autoridade dos autores de bons livros de divulgação. Para colmatar essa lacuna e investir um pouco mais, vou aqui resumir uma pequena bibliografia para que se compreenda um pouco melhor um problema do qual Parfit se ocupou e avançou novos argumentos. Estou a falar do problema da identidade pessoal. Melhor que as minhas palavras é ler alguma coisa e ficar mais informado. Assim, e do que está disponível em português:

James Rachels, Problemas da Filosofia, Gradiva, Trad. Pedro Galvão. Todo o capítulo 5 é dedicado ao problema e segue de perto o seminal Reasons and persons de Derek Parfit. Melhor e mais clara introdução que esta, em língua portuguesa, não conheço.

Earl Conee e Theodore Sider, Enigmas da Existência, Uma visita guiada à metafísica, Bizâncio, Trad. Vítor Guerreiro. O capítulo 1 é uma boa introdução ao problema. A par com a de James Rachels forma o melhor duo em língua portuguesa para começar a matutar no problema.

Pedro Galvão fez-nos o favor de traduzir o primeiro artigo de Parfit sobre o problema da identidade pessoal, que podemos encontrar aqui: TRADUÇÃO


Existe um excerto muito interessante para ler na Crítica traduzido por Galvão, de Reasons and Persons, AQUI

E temos aqui este vídeo que está muito divertido e claro. Basta acionar as legendas. Não são muito boas, mas entende-se mais ou menos sem atropelos: